Definição curta
No estudo guiado, uma sessão é o ciclo de leitura guiada de um documento Markdown específico aberto no Reader. Ela combina duas coisas:
- a análise estática da estrutura do documento carregado naquele momento;
- o estado de engajamento do leitor enquanto ele percorre as seções.
Em outras palavras, sessão não é uma conversa aberta com o produto nem uma memória global do usuário. Sessão é o recorte de trabalho do estudo guiado sobre um documento concreto.
Quando a sessão começa
Uma sessão começa quando três condições já estão satisfeitas:
- existe um documento carregado no
Reader; - esse documento já foi renderizado em HTML;
- o usuário ativa o estudo guiado.
Nesse ponto, o estudo guiado lê a versão atual do documento e monta sua estrutura de trabalho. Ele identifica as seções, gera as perguntas heurísticas e cria o mapa inicial de engajamento por seção.
O que faz parte de uma sessão
Dentro de uma sessão, o estudo guiado passa a operar sobre um conjunto estável de elementos:
- a lista de seções detectadas a partir dos headings do documento;
- a posição de cada seção no todo, como abertura, meio ou fechamento;
- sinais estruturais de cada seção, como listas, blocos de código, termos em negrito e blockquotes;
- as perguntas de previsão, questionamento e conclusão geradas para cada seção;
- o progresso do leitor em cada etapa;
- as notas produzidas durante a leitura;
- o Mapa de Compreensão gerado ao final do percurso.
Na prática, a sessão é o encontro entre o esqueleto do documento e as ações do leitor sobre esse esqueleto.
Por que a análise é estática
O estudo guiado não interpreta semanticamente o documento como um modelo de linguagem faria. Ele usa análise estática da estrutura renderizada do Markdown.
Isso significa que o estudo guiado olha para características como:
- títulos
H2eH3; - posição relativa da seção no documento;
- presença e quantidade de blocos de código;
- presença de listas ordenadas ou não ordenadas;
- quantidade de itens em listas;
- termos destacados em negrito;
- presença de citações;
- um trecho curto de texto para representar a seção.
Com base nisso, ele escolhe templates de perguntas. A pergunta muda conforme a estrutura detectada, não conforme uma compreensão semântica profunda do conteúdo.
Quando uma seção qualifica para estudo guiado
Ter um heading não é suficiente. Para uma seção virar unidade do estudo guiado e exibir o gatilho “Ativar estudo”, ela precisa também ter corpo mínimo capaz de sustentar pelo menos uma das três fases:
- Previsão (anchor): seção com pelo menos 40 palavras;
- Questionamento (friction): seção com sinal estrutural (lista, bloco de código ou termo em negrito), conector adversativo na prosa, ou ao menos 120 palavras;
- Conclusão (synthesis): seção com 2 ou mais parágrafos, ou ao menos 80 palavras.
Se nenhuma fase é detectável, a seção continua visível no Reader e no TOC, mas não entra no estudo guiado. Esse filtro evita “Ativar estudo” em headings vazios ou com uma única frase, onde não há material para a pergunta socrática operar.
Quando o .md está mal estruturado
O estudo guiado é tolerante a Markdown imperfeito, mas ele não corrige a estrutura do documento. Ele apenas trabalha com a hierarquia que encontra.
A regra prática da implementação atual é:
H1funciona como título do documento, não como unidade de seção do estudo guiado;H2abre uma seção principal candidata;H3abre uma subseção candidata;H4,H5eH6não viram seções do estudo guiado;- sem
H2ouH3, não existe sessão seccional para estudo guiado, cards eTOC; - mesmo com
H2/H3, a seção só vira unidade de estudo se atender ao critério de fase descrito acima.
O que fazer em cada cenário
| Cenário | Como o produto se comporta | O que fazer |
|---|---|---|
Apenas H2 | Funciona bem. O estudo guiado trata cada H2 como seção principal. | Pode manter assim. Só adicione H1 se quiser um título explícito para o documento. |
H1 e depois H2 | Este é o cenário mais saudável. H1 nomeia o documento e H2 organiza a sessão. | Tratar como estrutura recomendada. |
Apenas H1 | O Reader renderiza o texto, mas estudo guiado, cards e TOC não detectam seções. A apresentação cai em fallback de slide único. | Adicionar H2 ou H3 para dividir o documento. |
H1 e depois H3, sem H2 | O sistema ainda detecta seção, mas a hierarquia fica degradada: o H3 vira subseção sem pai lógico. | Promover esse H3 para H2 ou inserir um H2 pai. |
H2 e depois H4, pulando H3 | O H4 continua visível no Reader, mas não abre uma nova seção para estudo guiado, TOC ou slides. | Se essa parte precisar ser navegável, promover H4 para H3. |
Só H4, H5 ou H6 | O texto renderiza, mas a experiência orientada por seção praticamente não existe. | Promover os títulos estruturais para H2 ou H3. |
Texto introdutório antes do primeiro H2 ou H3 | O conteúdo aparece no Reader, mas fica fora do modelo de sessão. Não vira bloco próprio no estudo guiado. | Se a introdução precisar entrar no fluxo do estudo guiado, criar uma seção como ## Introdução. |
H2 ou H3 repetidos com o mesmo texto | O sistema evita colisão de IDs internamente, então não quebra. Mesmo assim, TOC, mapa e notas ficam ambíguos para o leitor. | Renomear headings repetidos para que cada seção tenha uma função clara. |
| Heading tecnicamente válido, mas mal redigido, como “Mais”, “Coisas”, “Parte 2” | O estudo guiado funciona, mas gera perguntas piores e produz um mapa menos informativo. | Reescrever o heading para nomear a intenção real da seção. |
H2 ou H3 com corpo curto (uma frase, sem listas/código/negrito) | A seção aparece no Reader e no TOC, mas não vira unidade do estudo guiado: “Ativar estudo” não é exibido. | Expandir o corpo até atingir um dos limiares de fase, ou agrupar com a seção vizinha. |
Casos que parecem erro, mas não são
Do ponto de vista do estudo guiado:
- um documento com apenas
H2não está malformado; - um documento com
H1seguido de váriosH2é o formato ideal; H3só faz sentido quando realmente representa uma subdivisão de uma seção maior;- uma seção com heading mas sem corpo suficiente não exibir “Ativar estudo” não é bug — é o filtro de qualificação evitando perguntas vazias.
O problema começa quando a hierarquia visual do autor não coincide com a hierarquia estrutural que o produto consegue usar.
Regra editorial para recuperar um .md ruim
Se o documento chegou desorganizado, a correção mais segura é:
- garantir um título geral em
H1, quando fizer sentido; - transformar cada bloco principal do texto em
H2; - usar
H3apenas para subdivisões reais dentro de umH2; - promover
H4+paraH3quando eles precisarem aparecer no fluxo de leitura; - criar um
## Introduçãose existir abertura solta antes da primeira seção; - trocar headings vagos por headings que digam o tema ou a função da seção.
O que acontece durante a sessão
Depois de ativado, o estudo guiado organiza a leitura seção por seção. Cada seção pode atravessar fases como:
anchor: provocação antes da leitura;reading: seção liberada para leitura;friction: pergunta de atrito cognitivo;synthesis: registro da conclusão do leitor;done: seção concluída dentro da sessão.
Essas fases pertencem à sessão porque são o estado vivo da interação do leitor com aquele documento.
Quando a sessão termina
Do ponto de vista do produto, a sessão deixa de valer como contexto ativo quando o documento muda ou quando o fluxo de leitura é abandonado. Trocar o documento significa iniciar outro contexto de sessão, porque a estrutura analisada já é outra.
Desativar o painel do estudo guiado não precisa encerrar a sessão. Na implementação atual, o estado pode ser retomado localmente ao reabrir o modo para o mesmo documento.
Persistência local: retomada, não inteligência
Existe um ponto importante aqui: o fato de o estudo guiado salvar estado localmente não muda a definição de sessão.
Persistência local serve para retomar o andamento de leitura de um documento. Ela não transforma o estudo guiado em um sistema com memória interpretativa entre documentos, nem em um agente que aprende semanticamente com sessões anteriores.
Uma forma prática de descrever isso é:
O estudo guiado pode reabrir o estado de uma sessão, mas continua operando sobre a análise estática do documento atual.
O que uma sessão não é
Uma sessão no estudo guiado não é:
- uma conta de usuário;
- um histórico global de tudo o que a pessoa já leu;
- uma análise semântica profunda do texto;
- um chat contextual com o documento;
- uma memória compartilhada entre documentos diferentes.
Essa distinção é importante porque o estudo guiado foi desenhado para ser local, previsível e barato: ele reage à estrutura do Markdown e ao engajamento do leitor, não a um backend de interpretação.
Frase pronta para usar na documentação
Se precisar de uma definição curta para produto, spec ou README, esta formulação é a mais fiel:
Uma sessão de estudo guiado é o ciclo de leitura guiada de um documento Markdown específico aberto no Reader, construído a partir de uma análise estática da estrutura do documento e enriquecido pelas interações do leitor seção por seção.
Consequência de design
Definir sessão dessa maneira traz três implicações diretas para o produto:
- o estudo guiado depende de documento estruturado em seções, não de texto solto;
- mudar o documento implica nova análise estrutural;
- o valor do estudo guiado está menos em “entender o texto” e mais em organizar um ritual de leitura ativa sobre a estrutura que o autor já forneceu.